quarta-feira, 4 de junho de 2008

Mais um peso na balança

É incontestável dizer como o futebol brasileiro é, de longe, o mais saboroso e equilibrado de todo o mundo. Se tomarmos o Campeonato Brasileiro como principal referência, poderemos facilmente comprovar isso. Em 37 edições, 17 clubes já comemoraram ao menos uma vez o título nacional, sendo que apenas 7 deles conseguiram levantar o caneco duas ou mais vezes. A edição de 2008, mais até do que os recentes anos anteriores, vem comprovando mais uma vez essa igualdade. Depois de quatro rodadas, o Cruzeiro vem firme em busca do seu segundo título, com 10 pontos, acompanhado de perto pelo Flamengo, que vai atrás do quinto (ou sexto, dependendo do ponto de vista). O São Paulo, maior campeão, está cambaleando na zona de baixo e até aqui não demonstra capacidade de melhorar em busca de mais um título. Ainda bem, afinal de contas, o tri campeonato do tricolor seria o primeiro na história da competição e começaria a quebrar a escrita de equilíbrio. Além disso, a derrocada são paulina é um grande alívio para o futebol brasileiro. Obviamente não falo pelo futebol mostrado há poucos anos atrás e da representatividade mundial que o time tem. Mas pelo futebol sistemático e sem graça que vem apresentando.
Além do torneio do segundo semestre, ainda temos a Copa do Brasil. Quem diria que, depois de cair para a segunda divisão com uma campanha vergonhosa no ano passado, o Corinthians mostraria forças suficientes para se reerguer tão rápido e chegar tão perto de conquistar uma vaga para a Libertadores? E o Sport também. Como sempre, no começo do ano ninguém aposta em um time do nordeste como força em qualquer competição de nível nacional. Quando chega é surpresa. É verdade que as finanças da equipe pernambucana pode não ter as mesmas cifras que a do São Paulo, por exemplo, mas a organização e o profissionalismo não deixam nada a desejar. A única exceção entre os grandes do Nordeste me parece ser o Bahia, onde a corrupção e o paternalismo parecem imperar. Mas isso é outro papo...
O futebol nordestino, aliás, tem dado muitas alegrias aos seus torcedores. Apesar da confusão dos Aflitos, que envolveu fatores que fogem ao controle do alvi-rubro, o Náutico bateu com sobras o todo poderoso Botafogo, que a mídia esportiva coloca como grande favorito mesmo sem ter ganhado nada desde 1995, quando foi campeão brasileiro. O Vitória, acabou de voltar para a Série A e ainda está em fase de adaptação, mas já mostrou que não vai ser saco de pancadas de ninguém. E o Sport nem se fala.
Essa elevação do futebol nordestino, meio ofuscada pela mídia nacional, vem aí pra equilibrar ainda mais o futebol brasileiro. Dentre aqueles 17 campeões brasileiros citados lá em cima, apenas o Sport, em 1987 e o Bahia no ano seguinte trouxeram o título para a região. Este ano o renascimento de equipes como os rubro negros pernambucano e baiano e do Náutico, na série A, e Fortaleza na série B, deve acirrar mais ainda o equilíbrio do futebol brasileiro e somar mais algumas forças aos todo poderosos sudestinos e sulistas. A minha aposta é que, este ano, o tricolor cearense volte mais uma vez a jogar a primeira divisão e que, depois do término das finais da Copa do Brasil, o Sport se junte ao Náutico na ponta de cima da tabela da Série A e, quem sabe, traga pela terceira vez na história o caneco pra cá.

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